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História dos Bairros

Barcelona

O Bairro Barcelona, resultado da união das vilas Ressaca e Barcelona, recebeu esse nome em razão dos muitos espanhóis e descendentes que moravam no local. Há registros da chegada das famílias Madona, Lozano, Santana e Teles em 1920. No ano seguinte, houve a chegada da família Ricci. No fim da década de 1940, foi a vez dos Milanis, Rossinis, Moscas e Pastores.

Para lotear a área foi preciso aterrar o brejo que havia desde o Córrego do Moinho até a Rua Tiradentes. Aos poucos, as chácaras de plantio e criação foram dando lugar a residências. A chegada da General Motors, que adquiriu o terreno da Fiação e Tecelagem Nice, foi o marco dessa transição.

Os primeiros habitantes eram católicos e construíram a Capela de Nossa Senhora Aparecida em 1949. Em 1953, nova capela, com o mesmo nome, foi construída. Apesar de ter sido erguida em uma área maior, a segunda construção tinha medidas mais modestas. Procissões em meio a ruas adornadas marcaram o bairro por vários anos. Atualmente, há outros templos na região, como a Igreja Ucraniana Ortodoxa Autocéfala.

Água encanada, esgoto e pavimentação datam do final da década de 1950. Nos anos 1960, teve início a pavimentação e o ajardinamento da Rua Nazareth. Comércio e indústria apresentaram significativo crescimento a partir de 1970. A primeira agência dos Correios foi instalada em 1979. Hoje em dia, o bairro, ainda que residencial, abriga vasto comércio.

A exemplo dos demais bairros da cidade, a Barcelona - maneira como os moradores denominam o local - possui todos os serviços de infraestrutura e assistência municipal.

Boa Vista

O Bairro Boa Vista passou por processo de formação semelhante ao ocorrido nos outros bairros de São Caetano do Sul, onde as antigas vilas, chácaras e grandes terrenos foram extintos para dar lugar aos lotes urbanos.

A Vila Palmeiras, não mais existente, foi loteada no final da década de 1940, período em que teve início a urbanização do Boa Vista. Essa vila, uma das áreas loteadas mais antigas, também faz parte da formação do Bairro Nova Gerty. Dessa forma, a história do Boa Vista mistura-se com a do Nova Gerty, sendo até mesmo uma sequência urbana dele.

De fato, não só a Vila Palmeiras, mas também outras vilas, como Aurora e Gisela, foram comuns para a formação de ambos os bairros. Na criação do Boa Vista, contudo, ainda se incluem os loteamentos surgidos a partir das vilas Júlia (localizada no meio do bairro, prolongamento da Vila Palmeiras) e Ida (de Ida Vital), dos terrenos das Indústrias Reila e de parte da antiga Vila Santa Maria (dos irmãos Pujols). A Mata da Viúva, que figura na história dos bairros Boa Vista e Nova Gerty, era uma extensa área onde a meninada passava a tarde procurando ossos de animais. O terreno foi loteado e no lugar surgiram as vilas Gisela, Aurora e Júlia.

O nome do bairro deve-se à chácara do alemão Hidat, de grande extensão e localização privilegiada (na parte alta da cidade), que proporcionava boa visão para muitos lugares, sendo bastante frequentada por aqueles que queriam apreciar a boa vista. Na porteira dessa chácara havia, numa placa, a frase Quinta da Boa Vista, que acabou, primeiramente, dando nome à antiga Estrada de Santo André - agora conhecida como Rua Boa Vista – e, posteriormente, ao bairro.

Famílias como os Rodrigueiros eram famosas no bairro pelos serviços de carpintaria. Outras famílias também fazem parte da história local: Fantinatti, Falzarano, Thomé, Monteiro, Garcia, Graciute, Ribeiro e Venturine. Assim como o Nova Gerty, o Boa Vista também presenciou a chegada de migrantes que se fixaram em São Caetano em busca de trabalho.

Até o final da década de 1950, o bairro carecia de infraestrutura básica: calçamento, transporte, redes de água e esgoto. Somente na década seguinte, implantaram-se os primeiros melhoramentos urbanos. Uma das primeiras escolas a atender a comunidade, a EEPG Padre Alexandre Grigolli, encontra-se atualmente no bairro vizinho, o Nova Gerty. A EEPG Professor Décio Machado Gaia, entretanto, nasceu no próprio bairro. Em 1967, o Bairro Boa Vista recebeu a Biblioteca Municipal Esther Mesquita, a primeira construída naquela região e a segunda do município. Até hoje, ela ainda é uma das mais importantes referências da memória local.

Centro

O Bairro Centro surgiu em torno da estação ferroviária, como um prolongamento urbano do Bairro da Fundação, direcionando o crescimento da cidade para o outro lado da linha férrea. Inaugurada em 1883, a Estação de São Caetano apresentava arquitetura tipicamente inglesa com passarelas metálicas, cancelas e coberturas de telhas para passageiros.

Esse cenário, porém, perdurou até a década de 1970, quando, por pressões políticas, a estação de ferro foi substituída por uma estação de concreto armado (a antiga estrutura não mais representava o progresso de São Caetano). A estação de trem foi erguida em terreno cedido pela família Baraldi. O mesmo aconteceu com a Paróquia Sagrada Família (Igreja Matriz) que, uma vez terminada, definiu o atual centro do município, deslocando-o da antiga igreja dos beneditinos, lugar onde se concentrava a maioria das comemorações e festas religiosas.

De fato, com o crescimento da cidade e do número de habitantes, a Paróquia São Caetano (Matriz Velha) tornou-se pequena. Assim, foi necessária a construção de nova igreja, a atual Igreja Matriz Sagrada Família, erguida com tijolos fabricados no próprio município e concluída em 1936. Com a Matriz Nova terminada, a cidade também ganhou a atual Praça Cardeal Arcoverde, local do Marco Zero da cidade.

A implantação urbana do Bairro Centro ocorreu por volta de 1906. Além da família Baraldi, a Companhia de Melhoramentos de São Caetano também contribuiu para a abertura de novos loteamentos na área central e no Bairro da Fundação. As primeiras casas da localidade, conforme descrição dos antigos moradores, eram pequenas, baixas e com grandes quintais.

Na década de 1940, o centro recebeu número elevado de novas construções e estabelecimentos comerciais que, gradativamente, foram mudando o caráter residencial do bairro. Em 1954, foram entregues à sociedade o Viaduto dos Autonomistas e o Terminal Rodoviário de São Caetano, símbolos das transformações urbanas daquele período.

A partir das últimas décadas, o centro expandiu-se de tal modo que se tornou difícil a delimitação de suas fronteiras. Com efeito, ao longo dos anos, as antigas residências cederam lugar aos estabelecimentos comerciais de grande porte, edifícios de apartamentos e escritórios, galerias e lojas de vários tipos que, juntos, dão caráter comercial ao bairro.

Cerâmica

O bairro é praticamente plano e desenvolveu-se em função da Cerâmica São Caetano S/A. Marcado pela presença de famílias italianas e húngaras, os Molinaris e os Szarapkas foram os primeiros imigrantes a fixarem-se no local. A família Molinari construiu a primeira escolinha de ensino básico.

Os Szarapkas, vindos da Hungria, chegaram ao Brasil em 1924 e dedicaram muitos anos de trabalho à Cerâmica São Caetano. Por volta de 1910, o bairro apresentava duas únicas vias importantes: Rua Santo Antônio (atual Avenida Senador Roberto Simonsen) e Rua Caramuru (hoje Engenheiro Armando de Arruda Pereira).

Nos anos 1920, a família Veronesi foi uma das pioneiras na prestação do serviço de transporte coletivo na localidade. A Cerâmica São Caetano S/A, sucessora da antiga Cerâmica Privilegiada, foi fundada em 1913 e ficou famosa pela produção de ladrilhos, telhas e tijolos refratários. A qualidade do material chegou até mesmo a ditar o padrão de excelência da época, sendo comum a denominação do tipo São Caetano, para o modelo que as olarias concorrentes deveriam atingir.

A maioria dos moradores do bairro trabalhava na Cerâmica São Caetano. Em 1925, foi criado o Cerâmica FC, subsidiado pela própria fábrica (posteriormente, foi ocupado pelo Grêmio Recreativo Dramático Dançante Guarany, fundado em 1931).

Nas dependências da Cerâmica São Caetano, funcionava também uma escolinha que depois virou Grupo Escolar da Cerâmica, inaugurado na década de 1920. Anos mais tarde, a escola foi transferida para o Buracão da Cerâmica - imensa cratera de onde a Cerâmica São Caetano extraía sua preciosa argila - e lá funcionou até 1941. Nos anos 1970, o antigo Buracão da Cerâmica foi transformado em centro de recreação e hoje integra o Espaço Verde Chico Mendes, localizado no Bairro São José.

A fabricação de tijolos, a fumaça exalada pelas chaminés, as partidas de futebol do antigo clube Cerâmica FC mostram que a formação do Bairro Cerâmica se mistura, em grande parte, com a história de sua principal olaria que, mesmo hoje estando desativada, marca a paisagem do bairro e vive na memória dos antigos moradores de São Caetano.

Fundação

Não poderia ter melhor denominação o bairro que representa o berço dos fundadores do município de São Caetano. Primeiro núcleo colonial dos imigrantes italianos, o Bairro da Fundação cresceu ao redor da Igreja São Caetano, a Matriz Velha da cidade.

Antes da vinda dos imigrantes, este local já tinha seu valor histórico por ter abrigado, entre 1631 e 1877, a fazenda dos monges beneditinos. Nesse bairro tudo tem o sentido de originalidade e de pioneirismo. Ali tivemos a área primitiva, tanto das olarias como das indústrias, as primeiras repartições públicas e privadas, como a Sociedade Principe di Napoli, o Grupo Escolar Senador Fláquer, o cinema, a cadeia e os primeiros casarões, como o Palacete De Nardi, que hoje é sede do Museu Histórico Municipal.

Geograficamente, o bairro situa-se no limite de São Caetano com o Bairro de Vila Prudente, na Capital, entre o Rio Tamaduateí e a Estrada de Ferro, que praticamente o separa da área central do município. Já a divisa com o Bairro Prosperidade é feita por meio do Córrego do Moinho. O bairro fica numa faixa estreita de um vale alagadiço.

Nos últimos 100 anos, vários grupos economicamente fortes marcaram presença no Bairro da Fundação. Indústrias como Matarazzo, Companhia Melhoramentos de São Paulo, Banco União, Saad ou Mannesmann atuaram durante muito tempo no local. Nos últimos anos, importantes redes comerciais como Carrefour e Sam’s Club instalaram-se no bairro.

No dia 15 de dezembro de 1950, o então prefeito, Ângelo Raphael Pellegrino, sancionou a lei n° 135, que deu o nome Fundação ao então Bairro da Ponte, antiga denominação do local.

Jardim São Caetano

O Bairro Jardim São Caetano foi a última área urbanizada de São Caetano do Sul. Desde 1930, a região era conhecida como terrenos do banco devido à presença muito próxima da área adquirida pelo Bank of London & South América Limited, em 1930, e onde o próprio banco, por intermédio da Companhia City, iria criar, nos anos 1960, o Jardim São Caetano. A família Cavalheiro foi uma das primeiras a chegar ao local, em 1949, logo após a abertura do loteamento.

Na época, os ônibus de Hugo Veronesi só chegavam até a esquina da Estrada das Lágrimas com a Rua Armando de Arruda Pereira, na antiga Vila São José. A rede elétrica do bairro começou a ser instalada a partir de outros locais por José Cavalheiro, que contava com o apoio de vizinhos como Amâncio Toni e Pedro Depintor.

Na época em que o Bank Of London adquiriu a área, a região possuía muitas lagoas junto ao Rio dos Meninos, onde se pescava traíras. Um grande terreno era utilizado pela Cerâmica São Caetano na extração de argila. As duas áreas, juntas, formavam propriedade de um milhão de metros quadrados. Metade pertencia a F. Ford, capitalista inglês, e a outra parte era de propriedade de Wadih Pedro & Irmão.

Havia também dois sítios: Sítio dos Meninos Novos, que começava no córrego Tamanduateí e acompanhava a Estrada Velha de Santos, e o Sítio Joaquim de Barros, no Rio dos Meninos.

A antiga Vila Belvedere foi anexada ao Jardim São Caetano e começou com o loteamento de Edgar de Aguiar Gusmão, em 1949, aprovado pelo decreto 379, de 1º de abril daquele ano. O Jardim São Caetano foi idealizado pelo engenheiro Victor Malunud e por João Delamonica Pereira de Castro. É o único bairro residencial de alta classe na região do ABC, projetado nos mesmos moldes dos jardins América e Pacaembu, em São Paulo.

Em 3 de dezembro de 1979, foi fundada no Jardim São Caetano a Sociedade Amigos do Bairro. A primeira diretoria foi empossada em março de 1980.

Mauá

O Bairro Mauá, com esse nome, nasceu em virtude do decreto municipal 3064, de 15 de janeiro de 1968, e incorporou a antiga Vila Boqueirão e parte das vilas Gisela e Marlene. O nome Mauá é homenagem à Escola de Engenharia Mauá, transferida para São Caetano do Sul em 1964, época em que foram construídos os três primeiros pavilhões escolares, em área de 100 mil metros quadrados, doada pela municipalidade, na Estrada das Lágrimas, junto ao Rio dos Meninos, divisa com o município de São Bernardo do Campo.

A primeira grande referência do bairro é a Estrada das Lágrimas, uma das primeiras vias de penetração histórica do Grande ABC. Tem início em São Paulo, no Bairro Ipiranga, passa por São Caetano e é interligada com a Avenida Senador Vergueiro, uma das vertentes do antigo Caminho do Mar, no Bairro Rudge Ramos, em São Bernardo. O professor José de Souza Martins, em artigo publicado na revista Raízes nº 5, situa a área do Bairro Mauá, na história de São Caetano do Sul e do Grande ABC, como parte da Fazenda São Caetano, que adquiriu esse nome entre 1717 e 1720.

Em outro momento histórico, parte do atual Bairro Mauá integrou o Núcleo Colonial de São Bernardo, mais especificamente a Linha Colonial dos Meninos, formada a partir de 1886. Entre os imigrantes italianos que adquiriram lotes naquela área estavam as famílias Perin, Lorenzini, Gava, Shon, Roveri e Meneguel.

Na década de 1950, a atual área do Bairro Mauá chamava-se Vila Boqueirão, que nasceu com a apresentação, na prefeitura, de planta, perfis e memorial descritivo do bairro em 24 de janeiro de 1958. O projeto indicava que seria um loteamento tipo residencial popular, com área de lotes variando entre 250 e 500 metros quadrados. A aprovação dos lotes ocorreu em 1959 e as vendas começaram no ano seguinte.

As referências do Bairro Mauá são os conjuntos habitacionais criados pelo Banco Nacional de Habitação (BNH) e pela Cooperativa Habitacional do ABC. Em sua área também funcionavam as torres de transmissão das antigas rádios Cacique, de São Caetano, e 9 de Julho, de São Paulo.

Nova Gerty

A história conta que o Bairro Nova Gerty surgiu em torno de uma figueira existente, desde 1948, no encontro das ruas Visconde de Inhaúma, Itu e Nelly Pellegrino. O bairro é formado por dez loteamentos. São eles: vilas Gisela, Nova, Gerty, Palmeira, Ângelo Ferro, Checchia, Leormínia, Marlene, São Francisco e Aurora. Entre as vilas extintas, a mais antiga era a Vila Gisela, que foi loteada no final da década de 1920. Nos anos 1940, surgiu a Vila Gerty, que acabou dando nome ao bairro.

A família Leandrini pode ser considerada uma das pioneiras na fundação do bairro. Todavia, famílias como Fiorotti, Scotá, Cal, Ferro, Roveri, Lorenzoni, Gonzaga, Canger, Schon, Heinsfurter também tiveram terras e contribuíram para a formação do Nova Gerty, assim como o grande fluxo de migrantes nordestinos, que propiciou rápida ocupação e urbanização e conferiu ao bairro características tipicamente operárias.

As primeiras escolas primárias surgiram no final dos anos 1940. Até 1947, o bairro carecia de linhas de ônibus, escolas e outros serviços públicos. Muitos desses serviços foram obtidos com a ajuda de entidades sociais criadas pela própria comunidade. A Sociedade Amigos das Vilas Gerty, Gonzaga, Gisela e Adjacências, a primeira sociedade de bairro a surgir em São Caetano, foi criada em 1951 e conseguiu melhorar a qualidade de vida no bairro. Em 1952, foi fundada a Sociedade Esportiva Gisela, que se tornou referência de lazer e diversão no local. Em 1974, o nome foi alterado para Centro Esportivo e Recreativo Gisela. Porém, antes de ganhar essa nomenclatura, já tinha se tornado um importante clube de futebol de São Caetano.

O Bairro Nova Gerty abrigou o primeiro Estádio Distrital, pioneira de uma série de outras obras esportivas que depois foram transformadas e ampliadas em vários centros recreativos e esportivos. Abrigou também o primeiro pronto-socorro distrital. Está presente no bairro, desde 1955, a Paróquia Nossa Senhora das Graças (quanto à religião, o bairro é marcado pelo convívio de várias crenças).

A Rua Visconde de Inhaúma, divisa com o Bairro Boa Vista, é um dos principais endereços do bairro e engloba justamente o trecho transformado em boulevard (que, no final da rua, se abre para o Largo da Figueira). Em 1967, essa rua foi ampliada e adquiriu a conformação atual que favoreceu o surgimento de vários estabelecimentos comerciais. Estes têm como entidade de classe o Clube dos Lojistas, fundado em 1977, mas que marca presença no bairro desde 1966, quando realizou a primeira decoração das ruas.

Com melhoramentos urbanos e instalação de vários serviços públicos, o bairro se desenvolveu e, além de ser um dos mais populosos da cidade - uma verdadeira cidade dentro de São Caetano -, tornou-se centro de intensa movimentação comercial para a região.

Olímpico

Com mais de 22 quilômetros de ruas curvas, em razão das irregularidades do terreno, o Bairro Olímpico faz fronteira com os bairros Santa Maria e Barcelona pelas alamedas São Caetano e Conde de Porto Alegre. A Rua São Paulo é o seu limite com o Bairro Santa Paula e a Rua Sílvia, com o Bairro Boa Vista. As fronteiras com o Bairro Oswaldo Cruz são a Avenida Vital Brasil e uma linha imaginária entre a Rua Ingá e a Avenida Paraíso.

O Bairro Olímpico é um dos maiores da cidade em extensão territorial e compõe-se de uma parte alta e de um fundo de vale, cortado pelo Córrego do Moinho, onde hoje é a Avenida Presidente Kennedy.

A urbanização da localidade começou por volta de 1950. Nessa época, era chamada de Monte Alegre Novo. Por influência do famoso livro Morro dos Ventos Uivantes e em virtude dos fortes ventos, este era o nome do descampado onde se construiu o Estádio Municipal Anacleto Campanella, em 1954. O complexo esportivo acabou tendo influência na mudança de nome do bairro que, primeiramente, era chamado de Vila Olímpica, e que, em 1968, recebeu a denominação atual (o que se justifica, uma vez que grande parte das obras e equipamentos esportivos da cidade se encontra na região).

Antes de 1950, existiam ali três loteamentos: Vila Ressaca, Vila Camila e Vila Monte Alegre. A Vila Ressaca, que se estendia parcialmente pelo Bairro Barcelona, foi aberta por José e Jorge Kuprich. A Vila Camila era propriedade de Adolpho Thiele e a Monte Alegre pertencia a José Ganger, Gisela Heinsfurter e Stefan Gutman.

Na antiga chácara do Dr. Souza Voto - uma reserva ecológica existente entre a Alameda Conde de Porto Alegre e a Avenida Presidente Kennedy - funcionava um clube de elite que se dedicava à prática de tiro ao alvo. Nos anos 1960, a área foi desapropriada e ali foram instalados uma escola estadual (atual EMEF Eda Mantoanelli), um teatro (Teatro Paulo Machado de Carvalho), uma praça, uma escola para pessoas com deficiência (Fundação Municipal Anne Sulivan), a antiga sede da APAE e um parque para a recreação infantil (Cidade das Crianças). Em 1965, a parte mais elevada da área, próxima ao estádio, entrou em fase de expansão e urbanização, processo que se estende até os dias de hoje.

Oswaldo Cruz

O Bairro Oswaldo Cruz representa a união dos antigos loteamentos abertos na parte alta de São Caetano: Monte Alegre, Gonzaga, Vila Santo Alberto e Vila Paraíso. Dos quatro, somente o Gonzaga foi absorvido por completo pelo atual Bairro Oswaldo Cruz. Mas é o Bairro Monte Alegre, um dos primeiros loteamentos abertos na parte alta, pelo italiano Francisco Canger e seu sócio alemão Samuel Heinsfurter, que identifica aquela comunidade. O nome Monte Alegre foi tomado emprestado do time de futebol do bairro, o Monte Alegre FC, fundado em 1917 e que se tornou a maior atração local.

Por volta de 1922, os espanhóis eram os que mais predominavam no bairro. Com isso, imprimiram no lugar o ritmo dos seus costumes e tradições. Exemplo disso é a Lamurga, espécie de cordão carnavalesco que, na década de 1930, desfilava pelas Ruas do Monte Alegre cantando e tocando. Famílias húngaras e de outras nacionalidades também se estabeleceram no bairro. Uma das referências do local era a padaria dos Relas, conhecida pelos vários tipos de pães.

O primeiro armazém era propriedade da família Del Rey, de origem espanhola, que ficou famosa pelas lojas Irmãos Del Rey nos anos 1940. O bairro também teve o cinema da família Lorenzini e um grupo cênico. Entretanto, realmente ficou famoso em razão da fonte de água potável de Pedro Mazzaferro, que vendia garrafas do líquido até mesmo em São Paulo. O negócio funcionou até os anos 1940.

Um dos marcos significativos do bairro é a Paróquia Nossa Senhora da Candelária, construída próxima ao local onde ficava a cruz dos beneditinos, que assinalava os limites da Fazenda São Caetano. Em 1953, a igreja foi elevada à paróquia e hoje é referência religiosa para os moradores dos bairros vizinhos. Em 1949, a Sociedade Portuguesa de Beneficência foi fundada na região e continua funcionando até hoje.

Para melhorar os serviços locais, foi criada a Sociedade Amigos do Monte Alegre em 1952, considerada a segunda sociedade de bairro fundada em São Caetano e que existiu por mais de 20 anos. Muitas reivindicações foram alcançadas e hoje o bairro está consolidado e apresenta uma série de serviços comuns: escolas estaduais e municipais, sociedades filantrópicas, serviços de saúde, esportes, lazer e cultura.

Prosperidade

A história do Bairro Prosperidade é diferente da dos demais bairros da cidade por vários motivos, a começar pela localização, entre o leito da Estrada de Ferro e as várzeas do Rio Tamanduateí. Vários projetos de loteamentos foram ali realizados, porém, os problemas político-administrativos não tinham fim. Ora o bairro pertencia a Santo André, ora a São Caetano, situação que durou até 1967.

O primeiro loteamento, datado de meados dos anos 1920, foi feito por José Alcântara Machado de Carvalho, quando foram abertas as primeiras vias públicas e vendidos os primeiros lotes. O plano de armamento e loteamento, no entanto, somente foi aprovado em 28 de fevereiro de 1944, quando o então prefeito de Santo André, José de Carvalho Sobrinho, assinou o decreto 51, conforme o processo nº 2399/43.

Em 1932, surgiu a Sociedade Auxiliada Vila Prosperidade, empresa disposta a adquirir lotes, construir casas e providenciar a venda de imóveis. Nessa época, o Bairro Prosperidade fazia parte do Distrito de São Caetano, todavia, com a criação do município de Santo André, em 1938, passou a integrar a segunda zona, correspondente ao atual município de São Caetano do Sul.

Com a autonomia político-administrativa de São Caetano, em 1948, a Vila Prosperidade começou a reivindicar sua anexação ao novo município. A exigência tornou-se realidade por meio de um plebiscito realizado em 1º de dezembro de 1963. Foram 389 votos a favor e 139 contra a incorporação da Vila Prosperidade a São Caetano. Após o pleito, a anexação ainda levou três anos para ser concretizada, ocorrendo apenas no dia 13 de abril de 1967, após longa batalha judicial com Santo André que, por meio de sucessivos embargos, retardou a anexação.

Na década de 1960, importantes indústrias, com renda superior a 600 milhões de cruzeiros, estavam sediadas no Bairro Prosperidade. As principais eram Confab, Tecelagem Lino, Situbos, Brasilit, Usina São José e Quimbrasil. A vida comunitária do Bairro Prosperidade foi muito intensa e atuante, marcada pela rivalidade entre os clubes de futebol União Jabaquara e Vila Prosperidade e pelos movimentos religiosos, que culminaram com a construção da igreja da Vila Prosperidade, localizada na Praça da Riqueza. A comissão pela construção da igreja terminou as obras graças ao trabalho árduo e rápido. Houve missa campal no dia 30 de setembro de 1951, realizada pelo padre Ézio Gislimberti, e, à noite, foi programada a encenação de um drama em benefício da igreja.

Em 1999, os alunos da então Escola Estadual (atual EMEF) Laura Lopes, sob a supervisão dos professores Rosemeire Bento Simões e Agvam de Andrade e com o apoio da Fundação Pró-Memória de São Caetano do Sul, lançaram o livro Cotidiano Redescoberto, um perfil da história do bairro por meio de depoimentos de moradores.

Santa Maria

Localizado na parte alta do município de São Caetano do Sul, o Bairro Santa Maria é resultado da fusão das antigas vilas Santa Maria e Saúde, do Jardim Cândida e de parte da Vila Pujol. Formado por imigrantes espanhóis, o local foi loteado, na década de 1920, pela Empresa Imobiliária de São Bernardo, dirigida pelos irmãos Hippolyto Gustavo Pujol Júnior e Ernesto Pujol que, além de proprietários das terras, foram os responsáveis pela divisão dos lotes e implantação de sistema de tramways (bondes) que ligavam São Caetano a outras vilas. O desenho do bairro sofreu influências do urbanismo europeu e as vias foram construídas de modo a acompanhar as curvas de níveis do terreno, criando, assim, uma ocupação lógica e racional do bairro.

A princípio, a localidade foi dividida em grandes glebas, onde os proprietários cultivaram vários tipos de flores. Depois veio o bondinho, seguido de uma série de benefícios e infraestrutura para o bairro. Uma das paradas do bondinho era o lugar onde hoje funciona a Guarda Civil Municipal.

Na história do Bairro Santa Maria também se destaca a figura do curandeiro Vicente Rodrigues Vieira - São Vicente, como era chamado -, cuja missão religiosa atravessou as fronteiras de São Caetano. Atendia diretamente em sua casa, onde prescrevia apenas novenas para os doentes. Verdadeira romaria tinha lugar ao redor de seu sítio. A respeito da propriedade do curandeiro, sabe-se apenas que a residência se localizava no cruzamento da Alameda Cassaquera com a Rua Paraguassu. Morreu em março de 1935, com 52 anos, e seu trabalho foi continuado pelo filho Bento Rodrigues Vieira.

No final da década de 1940, o bairro foi loteado em terrenos menores, para posterior comercialização, e novos melhoramentos urbanos foram feitos. A construção da primeira igreja católica, a São Francisco de Assis, deu-se em 1960, porém, devido a um incêndio em 1968, teve que ser reconstruída e sua fachada original foi modificada. Na antiga chácara do Dr. Souza Voto, local em que se encontrava um pavilhão usado para festas e bailes, foi construída a Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE).

O Bairro Santa Maria, no início formado por chácaras cobertas de flores, hoje tem características residenciais e está dotado de ampla infraestrutura: serviços, comércio, escolas e vários edifícios significativos.

Santa Paula

As antigas vilas Industrial, Elekeiroz e Paula deram origem ao atual Bairro Santa Paula, oficializado pela prefeitura em 1968. No início do século passado, o local era isolado, pouco povoado, razão pela qual foi escolhido para receber o primeiro cemitério da cidade, em 1911. Foi construído em antigos lotes coloniais, ao lado da estrada que seguia de São Caetano para a Estação de São Bernardo (hoje Santo André) e mudou a paisagem rural do bairro.

A família mais antiga era a Garcia, ali estabelecida ainda no século 19. Seu sítio ficava junto ao Córrego do Moinho, entre os atuais bairros Santa Paula e Barcelona. José Mariano Garcia Júnior, nascido em 1872, passou a infância e a adolescência no sítio da família. Humberto Spinello, outro dos moradores mais antigos, residia numa casa na Rua Martim Francisco, construída em 1923. A família Veronesi também está presente desde o início do bairro. Arthemio Veronesi e seu pai, Valentim Veronesi, construíram casas no Santa Paula.

O loteamento começou na década de 1920 com o fazendeiro Gabriel Teixeira de Paula e Serafim Constantino. Quando ainda eram poucas as casas, chegaram a primeira padaria, a Triunfo, o primeiro açougue, de Antônio Veiga, e a primeira fábrica, a Casimira. A principal referência do bairro é a General Motors do Brasil, unidade inaugurada oficialmente na cidade em 1930.

A chegada da fábrica trouxe muito progresso ao bairro, como instalação de rede elétrica, aumento da população e abertura do mercado de trabalho, mas os melhoramentos urbanos aconteceram muito lentamente. Ainda no final da década de 1940, existiam várias chácaras no bairro. Ruas, hoje importantes, eram esburacadas e cheias de mato.

Húngaros, poloneses, iugoslavos, tchecos, alemães e lituanos se estabeleceram em grande número no Bairro Santa Paula, tanto que, em 1929, foi criada a Sociedade Teuto-Brasileira, atual União Cultural de São Caetano do Sul. Os italianos os chamavam de bichos d’água.

A vida esportiva girava em torno da Associação Atlética Saldanha da Gama, com sede na Avenida Goiás (ano de 1928). Seu rival era o Esporte Clube Vila Paula. O desenvolvimento do bairro foi incrementado, a partir da década de 1950, com as construções do Grupo Escolar Dom Benedito Paulo Alves de Souza, da Igreja São João Batista e com a constituição da Sociedade Amigos de Vila Paula, entidade que, nos anos 1960, lutou pela conscientização dos moradores, visando à construção de passeios públicos na Avenida Goiás. Nos anos 1970, a Avenida Goiás foi duplicada, gerando diversas desapropriações nos números pares da via.

Santo Antonio

O Bairro Santo Antônio foi formado a partir da instalação de olarias nos arredores da várzea do Rio dos Meninos e de um setor residencial na parte alta do bairro. O terreno argiloso facilitou o surgimento das olarias. A extração contínua da várzea resultou no aparecimento de algumas represas (Represa dos Parentes, Lagoa dos Ferraris), que serviram como opção de lazer e divertimento. A antiga Rua Santo Antônio (atual Avenida Senador Roberto Simonsen), tipicamente comercial, abrigou a capela construída pela família Cavana. A Capela Santo Antônio acabou dando nome ao bairro.

Uma das primeiras olarias, datada do final do século 19, pertencia a Giuseppe Ferrari. O empreendimento, perpetuado pelos filhos e netos do empresário, estendeu-se até a década de 1960. No início do século 20, mais precisamente em 1928, a família Toyoda montou a S. Toyoda e Companhia Limitada, fábrica de cerâmica e porcelana que se manteve ativa até 1981.

Os Toyodas foram os primeiros japoneses a fixar residência em São Caetano. Outra fábrica importante no bairro foi a Indústria de Bebidas Trentini, fundada em 1927. Notabilizou-se, sobretudo, pela produção do Ferro Cálcio Quina Trentini.

Com o crescimento do bairro, as represas foram aterradas e hoje abrigam importante parque industrial para a economia da cidade. A Dal’Mas S/A Indústria Agro-Química Brasileira foi a primeira a chegar, em 1920.

] Até os anos 1940, no Bairro Santo Antônio não havia igrejas, clubes recreativos e escolas, serviços encontrados apenas nos bairros vizinhos. Em 1954, no aniversário da cidade, o bairro ganhou o Grupo Escolar Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera) e também o Jardim Primeiro de Maio. Em 1961, o bairro recebeu o arrojado edifício projetado pelo arquiteto Zenon Lotufo e destinado a abrigar os três poderes municipais.

Nos dias atuais, o Bairro Santo Antônio ainda reflete as transformações urbanas e sociais, ocorridas ao longo do tempo, tanto na paisagem quanto na vida dos moradores, que até mesmo o confundem com os bairros vizinhos.

São José

O bairro iniciou processo de urbanização e ocupação em meados da década de 1940, sendo formado pela união dos loteamentos das vilas São José, Lucila, Tupan e do Jardim Anai. A Vila Lucila foi o primeiro loteamento e Antônio da Fonseca Martins o primeiro a instalar-se, em 1935.

No início da urbanização, o bairro possuía várias chácaras e poucas casas, abrigando famílias de diferentes nacionalidades. No entanto, também foi ocupado por migrantes nordestinos que vieram para São Caetano do Sul em busca de trabalho nas fábricas. Nesse período surgiram os primeiros cortiços do bairro. Além das poucas residências, o São José abrigava duas olarias da família Perrella, localizadas nas proximidades do Rio dos Meninos.

Com o surgimento das olarias, São José foi se tornando um bairro operário, sendo que a construção da primeira vila operária foi iniciativa da Cerâmica Tupan, que se instalou na cidade em 1935. Com os ares da urbanização, o local foi se desenvolvendo e suas referências urbanas foram se apagando, como a chaminé da Cerâmica Tupan, implodida em 1956, e os 28 fornos da olaria de Elias Turco, que não mais existem (no lugar foi implantado o Parque Municipal São José que, apesar de estar localizado no Bairro Jardim São Caetano, ainda assim é uma grande referência para os moradores do São José). Lá também funcionou o Museu Municipal de São Caetano, entre 1977 e 1988.

Quanto à religião, em 1955, o bairro recebeu a Paróquia São José, fruto do esforço de muitos moradores, sobretudo o dos membros da Congregação Mariana do Setor São José.

Na história do bairro e da cidade de São Caetano, a Rua Porto Calvo e a Estrada das Lágrimas são, respectivamente, possíveis remanescentes do Caminho Velho do Mar e do Caminho Novo do Mar, vestígios antigos da paisagem colonial nem sempre lembrados pela população. No Bairro São José também se encontra o Centro de Lazer, Esportes e Recreação Senador José Ermírio de Moraes, mais conhecido como Espaço Verde Chico Mendes. Instalado no antigo “Buracão da Cerâmica”, uma extensa área de onde a Cerâmica São Caetano retirava argila para a sua produção, o parque recebeu, em 1992, o Palácio da Cerâmica, sede do Poder Executivo municipal.

O bairro foi crescendo. O que antes eram ruas de terras e chácaras, com plantações de flores e frutos, agora são ruas asfaltadas e residências urbanas. Em virtude disso, os limites do bairro foram absorvidos e mesclados à complexidade urbana da cidade de São Caetano.